BGS 2026: Entre a tradição e a necessidade de reinvenção
Saudações Cybertronianas...

A Brasil Game Show (BGS) encerrou sua 17ª edição, realizada entre os dias 9 e 12 de outubro de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reafirmando sua importância histórica para a comunidade gamer brasileira, mas também evidenciando os desafios de um evento que parece atravessar um período de transformação.

Reconhecida por reunir grandes empresas, lançamentos, personalidades e milhares de entusiastas dos jogos eletrônicos, a BGS apresentou neste ano uma configuração diferente daquela que ajudou a consolidar sua reputação. A ausência de marcas importantes, as mudanças na ocupação dos espaços e as críticas de visitantes e criadores de conteúdo levantaram questionamentos sobre os rumos da feira.

Para o TFDioramas, que acompanha a Brasil Game Show há 15 anos, esse cenário não representa uma discussão inteiramente nova. Em nossa cobertura de 2024 - Leia a matéria completa AQUI -, já destacávamos que, apesar das conquistas, o evento parecia distante de seus tempos áureos. Em 2026, essa percepção ganha novos elementos e reforça uma questão: como preservar a tradição diante da necessidade de reinvenção?

Uma nova estrutura, antigos desafios
A transferência da Brasil Game Show para o Distrito Anhembi, anunciada em 2025, representou uma mudança importante na trajetória do evento. A infraestrutura modernizada, os ambientes climatizados e a possibilidade de ampliar as experiências oferecidas ao público criaram expectativas positivas para essa nova fase. Entretanto, a edição de 2026 apresentou um contraste entre o potencial da estrutura e sua ocupação.

A ausência de estandes próprios de grandes empresas, como Xbox, e a participação mais discreta de outras marcas tradicionais modificaram a configuração da feira. Áreas destinadas à alimentação, circulação e atividades complementares também ganharam destaque, contribuindo para a percepção de um evento menos robusto em comparação com algumas edições anteriores.
Essa impressão foi compartilhada em avaliações publicadas por veículos especializados, visitantes e criadores de conteúdo, que apontaram a redução de grandes atrações como uma das principais fragilidades da edição.
Embora a infraestrutura seja um componente importante, a experiência de uma feira depende, sobretudo, da capacidade de transformar seus espaços em oportunidades de descoberta, interação e entretenimento.
Os jogos continuam sendo o principal atrativo
Apesar das críticas, a BGS 2026 também apresentou aspectos positivos que merecem reconhecimento. A presença de empresas como Nintendo, SEGA e Square Enix contribuiu para preservar uma das características mais valorizadas pelo público: a oportunidade de experimentar jogos antes de seus lançamentos oficiais.


Entre os títulos destacados nas coberturas da edição estiveram produções aguardadas pelos fãs, além de experiências relacionadas ao Nintendo Switch 2.
A presença de desenvolvedores independentes também demonstrou a importância da feira como espaço de divulgação e aproximação entre criadores e consumidores. A Área Indie proporcionou visibilidade a projetos que nem sempre encontram oportunidades semelhantes em eventos de grande porte.
Entretanto, a valorização dessas iniciativas exige mais do que disponibilizar espaços. É necessário garantir condições adequadas de exposição, circulação e interação com o público.
Afinal, o fortalecimento da indústria de games passa tanto pelas grandes produções internacionais quanto pelo reconhecimento de novos talentos.
Uma experiência que vai além dos videogames
Ao longo de sua trajetória, a Brasil Game Show construiu uma identidade que ultrapassa a apresentação de jogos eletrônicos.

O encontro entre fãs, a presença de cosplayers, as ativações de marcas, os produtos colecionáveis e as experiências interativas transformaram a feira em um importante espaço de convivência e celebração da cultura gamer.
Para o público que também acompanha os universos dos brinquedos, colecionáveis e da cultura pop, eventos dessa natureza representam oportunidades de descobrir novidades, conhecer fabricantes e fortalecer vínculos com suas marcas e personagens favoritos. Essa dimensão merece atenção especial porque a experiência presencial continua sendo um dos principais diferenciais das grandes feiras.
Em um cenário no qual anúncios, demonstrações e lançamentos podem ser acompanhados instantaneamente pelas plataformas digitais, a participação física precisa oferecer algo que não possa ser reproduzido integralmente por uma transmissão ou publicação nas redes sociais. Mais do que apresentar produtos, é necessário proporcionar experiências memoráveis.
O peso da tradição em um mercado competitivo
A Brasil Game Show ocupa um lugar importante na história dos eventos de games no Brasil. Sua trajetória contribuiu para aproximar consumidores, empresas, profissionais e criadores de conteúdo, acompanhando diferentes momentos de crescimento da indústria nacional.
Entretanto, o mercado de entretenimento passou por transformações significativas.

As grandes fabricantes adotaram estratégias próprias de comunicação, os anúncios digitais ganharam protagonismo e novos eventos passaram a disputar a atenção de consumidores e investimentos de empresas.
Nesse contexto, a consolidação da gamescom latam acrescenta um elemento importante ao cenário brasileiro, ampliando as alternativas para marcas, desenvolvedores e visitantes.
A concorrência, contudo, não precisa ser compreendida apenas como uma ameaça. Ela também pode estimular a inovação, a qualificação das experiências e a busca por novos formatos de relacionamento com o público.
Para a BGS, o desafio parece estar justamente em identificar quais características precisam ser preservadas e quais devem ser transformadas para acompanhar as novas expectativas dos fãs.
A tradição representa um patrimônio importante, mas não pode se tornar o único argumento para justificar a relevância de um evento.
BGS 2027: o desafio de surpreender novamente
Com a próxima edição prevista para outubro de 2027, a Brasil Game Show terá uma nova oportunidade de demonstrar sua capacidade de adaptação. A recuperação de grandes expositores, o fortalecimento das experiências interativas, a valorização dos desenvolvedores independentes e uma ocupação mais estratégica dos espaços podem contribuir para renovar o interesse do público.

Entretanto, talvez a principal transformação necessária não esteja apenas na quantidade de empresas participantes ou na dimensão dos estandes. O verdadeiro desafio consiste em compreender o que significa realizar uma grande feira de games em um mercado no qual o acesso à informação e aos lançamentos já não depende exclusivamente dos eventos presenciais.
A BGS 2026 mostrou que ainda existem atrações capazes de mobilizar os fãs, mas também revelou que o reconhecimento conquistado ao longo dos anos não elimina a necessidade de evolução.
Para quem acompanha sua trajetória há mais de uma década, permanece o reconhecimento de sua contribuição para a cultura gamer brasileira, acompanhado da expectativa de que suas próximas edições recuperem a capacidade de surpreender. Afinal, reinventar-se não significa abandonar a própria história, mas encontrar novas maneiras de torná-la relevante.
E talvez esse seja o principal aprendizado deixado pela BGS 2026: mais importante do que continuar sendo uma das maiores feiras de games da América Latina é continuar oferecendo experiências à altura dessa tradição.







![[Collab TFDioramas × Marco Reviews] Micronus Prime: A Consciência dos Treze](https://static.wixstatic.com/media/3fa226_2927e064d3804558a64437e75b0941df~mv2.jpg/v1/fill/w_940,h_1672,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/3fa226_2927e064d3804558a64437e75b0941df~mv2.jpg)

Comentários